Olha, um dia podes sempre dizer isto quando me vires e apontares para mim:
Eu comi aquela miúda. Aquela que está a caminhar com um grande estilo. Aquela que tem um corpo invejável e que eu sempre amei. Aquela que tem uma cara super bonita. Sim, foi mesmo aquela. Foi fácil e inesquecível. Fiz dela uma boneca, um troféu de uma aposta. Ela fazia tudo o que eu queria e dava-me tudo o que eu pedia. Como aquela miúda há poucas, e eu identificava-me com ela. Mas, claro, estúpido como sou ia comendo uma e mais outra. Só me lembrava dela quando tinha um tempo livre, mas ela lá ia ter comigo com um sorriso enorme mas os seus olhos eram tristes. E eu ignorava os olhos, só dava atenção ao sorriso que parecia ser verdadeiro. Beijava-a, e ela parecia estar feliz. Parecia, só parecia mesmo. Eu sabia que ela estava a pensar que, mais cedo ou mais tarde, eu ia encontrar outra e deixá-la como o tinha feito tantas vezes. Ela tinha razão, tinha toda a razão do Mundo. Eu encontrei outra, encontrei outra depois da outra e assim foi o ciclo. Esqueci-a, mas voltei no Verão para a vida dela. Ela lá me dizia que tinha tido saudades minhas e eu não sabia o que era saudades, de verdade, e disse que também tinha tido dela. Mentira, eu acho que nunca tive saudades dela mas eu fiz acreditar que sim. Menti com um descaramento bem visível e tenho a certeza que ela soube que menti. Aquela miúda, para onde ainda estou a apontar, nunca foi burra. Sempre soube os meus disfarces mas manteve-se calada. Tinha medo da minha reacção, pois muitas delas eram actos violentos. Mas ela aguentava, mostrava não ter medo mas cada dia que passava ela tinha mais medo de mim. Via no olhar dela, mas como sempre ignorava aquele olhar e beijava-a. Sim, brinquei com os sentimentos daquela miúda. Ela dava-me tudo, fazia-me sentir bem, mas eu brinquei com os sentimentos dela. Eu tinha outras que eram mais velhas que ela e se eu quisesse deixava-a por completo. No entanto, eu sempre precisei de voltar à vida dela sem razão aparente. O meu tempo livre puxava-me até ela, fazia-lhe ligar e pedir para ir ter comigo. Ai, e quando eu a vi com um vestido justinho ao corpo? O quanto eu delirei! Estava tão linda. Ela sempre teve um corpo lindo. Um corpo demais para a idade dela, mas naquele dia ela arrasou. Mas estava distante de mim. Pareciaquerer dizer-me algo, mas eu beijei-a. Ela continuava distante e parecia despedir-se de mim. E assim foi mesmo, com aquele vestido de flores despediu-se de mim. Ainda hoje quando vejo fotografias dela com esse vestido lembro-me de quando a perdi. E descobri que a tinha amado mesmo. Como descobri que tenho saudades dela. Perdi o que mais me dava pica, o que mais gostava e só me resta a saudade que nunca pensei vir a nutrir por aquela miúda que tem apenas catorze anos. Mas, eu dou-lhe tantos mais anos. Não só por o corpo invejável mas também por a mentalidade. Ela era perfeita, para mim, e eu hoje estou sozinho. Não tenho ninguém que a substitua. E sabem uma coisa? Ela sabe que eu estou atrás dela, a apontar para ela, mas não é capaz de se virar para trás. Porque a decisão dela foi seguir em frente e nunca mais olhar para mim; Para o seu passado doloroso. Eu tenho a noção que a magoei. Magoei uma princesa, uma rapariga que sempre teve tudo nas mãos e eu não acreditei. Hoje acredito porque ela tem-me nas mãos, só não sabe de tal coisa porque já tem outro. O rapaz de quem eu fingia ter ciúmes é o actual namorado dela, e agora sim tenho ciúmes dele. Ele beija-a com todo o prazer. Passa momentos com ela que eu sempre quis passar. Faz-lhe feliz e só de pensar que podia ser eu a fazer esse papel, ai! Ainda hoje quando a vejo sozinha tenho vontade de a agarrar, mas ela faz aquela cara de enjoada e faz-me recuar. Ela sempre teve esse dom. Como é que ela consegue ter tantos na mão? Como é que ela consegue com que as pessoas se arrependam de tudo, o que já lhe fizeram? Esta miúda é perfeita e eu amo-a, à distância. Agora resta-me esperar por o momento que ela fique sozinha e eu suavemente aproximo-me dela, sendo amigo mas tornando-me de novo um amor. Acho impossível, porque ela está muito mais mulher e muito mais determinada. Vê-se pela expressão dela, vê-se por as suas roupas. Ela está diferente, mas eu continuo a amá-la e eu vou lutar por ela quando ela tiver sozinha. Porque agora eu só quero o bem dela, quero vê-la bem e eu sei que ela agora está bem... como nunca teve comigo. E agora, baixei o braço, mudei de passeio e de direcção. Não a quero ver mais, por agora, porque é pior para mim. Fica para outro dia, mas digam lá... Ela não era perfeita, para mim?
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